Aracaju, 27 de setembro de 2021

Alessandro Vieira critica a ‘tropa de choque’ do governo por criar “tsunami de desinformação”

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Jailton Batista, diretor da farmacêutica Vitamedic, que lucrou com a Ivermectina e até bancou propaganda a favor do tratamento precoce, admite que sabia que o medicamento não tinha eficácia contra o vírus
Depois de um dia em que a ‘tropa de choque’ do governo, na CPI da Covid, voltou a defender medicamentos não comprovados contra a Covid, e a minimizar a eficácia da vacinação em massa, o *senador Alessandro Vieira* lamentou que *colegas insistam em criar uma “tsunami de desinformação” dentro da comissão*. O senador Alessandro referia-se a colegas que o antecederam na CPI – Marcos Rogério (DEM-RO), Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Do Val (Podemos-ES) e Luiz Carlos Heinze (PP-RS), este último conhecido por propagandear remédios sem comprovação científica para Covid. “Todas as falas desses senadores foram no entido de desinformar o cidadão brasileiro”, apontou Alessandro Vieira. “A *repetição da mentira, para a camada mais ignorante da população, é mortal*. E agora a gente consegue mostrar com clareza o quanto teve gente ganhando dinheiro com isso”, completou.
Foi o caso da *Vitamedic, empresa que bancou anúncio publicitário em defesa do uso de medicamentos ineficazes no tratamento da Covid*. Vendida como a ‘bala de prata’ do governo Jair Bolsonaro em sua contrapropaganda para o combate à Covid, junto com a hidroxicloroquina, a Ivermectina continua servindo apenas para o que está informado na bula: contra piolho e sarna. O próprio Jailton admitiu ao senador Alessandro Vieira que *a empresa nunca conduziu estudos para avaliar a eficácia da Ivermectina contra o coronavírus e que não há nenhum dado científico* que justifique sua prescrição contra a Covid – qualquer cepa. “Já citei ao redor do mundo vários ensaios, mas não temos nesse momento um estudo clínico que comprove essa ação antiviral do produto”, reconheceu.
Jailton Batista admitiu que a empresa bancou, em fevereiro, um manifesto publicado nos principais jornais do país, em nome da Associação Médicos pela Vida, em defesa do chamado “tratamento precoce” contra a covid, com uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. Foram pagos R$ 717 mil pela peça publicitária, muito menos do que as 1,127 milhão de unidades de ivermectina vendidas a municípios de todo o país. O manifesto defendeu uma combinação de medicações como a Hidroxicloroquina, a Ivermectina, a Bromexina, a Azitromicina, o Zinco, a Vitamina D, anti-coagulantes entre outras. O próprio presidente Jair Bolsonaro, mais de uma vez, defendeu o tratamento com algumas dessas drogas, como Ivermectina e Hidroxicloroquina.
“O que se ataca é a *política pública baseada no equívoco, na anticiência*. O médico, que recomenda um medicamento, assume uma responsabilidade, está dentro de sua esfera”, pontuou o senador. “Mas *a empresa que o sr representa financiou a disseminação de uma informação que não tem base na ciência. Fez isso estimulando a automedicação*”, completou o senador, lembrando que o anúncio, como de resto quem defende o tratamento precoce, passa a impressão de que essa é uma doença que tem remédio. “É o mesmo remédio que um pateta na cadeia de presidente levanta pra ema.”

Jailton Batista, diretor da farmacêutica Vitamedic, não deveria ser o depoente de hoje. O requerimento do relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), previa originalmente a convocação de outro representante da Vitamedic, o empresário José Alves Filho – que traçou toda a estratégia comercial da Vitamedic. Mas a CPI foi convencida de que Jailton Batista estaria mais próximo das decisões relativas à venda do Ivermectina. Não estava.

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