Aracaju, 21 de setembro de 2021

Balanço das lutas da classe trabalhadora na 16ª Plenária da CUT/SE

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Vésperas da greve nacional do serviço público, contra privatizações e contra a reforma administrativa, CUT/SE analisa o momento político nacional, internacional, estadual e traça estratégia de luta sindical

Por: Iracema Corso

A análise do momento político permeou toda a 16ª Plenária Estatutária da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe) que, no formato online, reuniu 189 lideranças sindicais de 19 sindicatos e uma federação, nos dias 13 e 14 de agosto.

Sob o risco de privatização dos Correios, que coloca em risco o emprego de 100 mil trabalhadores, o dirigente do SINTECT/SE e da CUT, Jean Marcel, afirmou que o único caminho é a luta e reforçou o convite de todos os sindicatos para a Greve Nacional do Serviço Público, que tem ato às 15h desta quarta-feira, 18 de agosto, na Pça General Valadão.

“A gente sabe que nossa única saída é derrubar o governo Bolsonaro, então estamos firmes nesta luta com indicativo de greve nacional unificada. Retomando as ruas, as lutas, como sempre, nós trabalhadores dos Correios sabemos que a única possibilidade de resistir é na luta. Apesar dos ataques, vamos defender os Correios e a nossa soberania. São milhares de municípios que necessitam dos serviços dos Correios. É o momento da gente unir forças e focar no nosso inimigo”, afirmou Jean Marcel.

Roberto Silva (presidente da CUT/SE), Jairo de Jesus (Secretário Geral) e Plínio Pugliesi (Secretário de Comunicação) fizeram o balanço da atuação da CUT/SE nos dois últimos anos e também foi exibido um vídeo com imagens de todas as manifestações construídas pela CUT neste período.

Itanamara Guedes (Secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT/SE) fez Análise de Conjuntura na Plenária e comentou que o projeto de privatização e entrega do patrimônio nacional é a política da elite nacional sem compromisso com o estado brasileiro.

“A elite entreguista que comanda o Brasil há séculos sempre utilizou o estado brasileiro, através do clientelismo, com política assistencialista que trata aquilo que é direito, é serviço público, como um favor, e exclui a população do processo de tomada de decisão, por isso é que não consegue conviver com o estado democrático de direito. Esta elite utiliza o fundo de recursos públicos para o capital financeiro. Não tem compromisso nenhum com a vida, com meio ambiente e com o bem estar da população. Seu compromisso é apenas com o enriquecimento. Estamos falando de metade da população que sofre com insegurança alimentar. Vivemos o aprofundamento das desigualdades sociais. Do outro lado, temos o capital internacional e financeiro lucrando”, analisou Itanamara.

Desemprego e Capitalismo de plataforma

Secretária de Organização e Política Sindical da CUT/SE, Joelma Dias apresentou dados socioeconômicos do governo Bolsonaro que comprovam a dimensão do retrocesso que o Brasil enfrenta. “O desemprego atinge o recorde de 14,8 milhões de brasileiros. Enquanto isso, o PIB brasileiro aumentou R$ 2 trilhões no último trimestre, o que representa 1,2% de aumento em relação a 2020”. Joelma citou o economista da USP Hélio Zylberstajn afirmando que a economia brasileira está voltando ao período pré-pandêmico, no entanto, a situação de desemprego é desesperadora e ainda deve demorar mais de um ano para o mercado voltar a contratar e assim reduzir o desemprego.

Já Carmem Foro (Secretária Geral da CUT Nacional) abordou o desafio de organizar trabalhadores que estão fora do sistema tradicional dos sindicatos, pois não têm registro profissional em carteira.

“Desde 2019, a CUT tinha o desafio de enfrentar as mudanças no mundo de trabalho. Estamos diante deste capitalismo de plataforma, que cria novas categorias de trabalhadores sem direitos, num regime de trabalho praticamente de escravidão. Algumas categorias de trabalhadores desapareceram. Organizar esta nova categoria de trabalhadores e organizar os desempregados é hoje um desafio permanente do movimento sindical”, resumiu Carmem.

Ângela Melo (Diretoria Executiva da CUT Nacional) também destacou o desafio de dialogar com os desempregados. “O grande desafio é conquistar corações e mentes. É necessário o diálogo com a população desempregada e que está no subemprego e repensar novas formas de luta e reestabelecer a escuta entre nós. O que acontece no Brasil e em Sergipe, temos tido grandes atos. Precisamos conquistar corações e mentes”, afirmou.

Para Jandyra Uehara (Secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos a CUT Nacional), a pandemia não criou este cenário desafiador para a classe trabalhadora, mas aprofundou “o golpismo e o bolsonarismo, em todas as suas dimensões, tanto na sua face mais neofascista, como na face neoliberal, acelerando os ataques à classe trabalhadora. Desde o golpe de 2016, foi o que vimos: ataques às liberdades democráticas, à retirada de direitos e a espoliação e pilhagem das riquezas e do patrimônio nacional. Isso tudo aliado ao não enfrentamento da pandemia continua gerando um verdadeiro genocídio no Brasil”, afirmou.

Após avaliar as opções políticas que a direita brasileira tem, Jandyra concluiu que para a esquerda a única opção é fortalecer a luta.

O palestrante Ismael José Cesar (Diretoria Executiva CUT Nacional) fez um resgate das lutas recentes em todo cenário internacional, na América Latina e afirmou que a CUT nasceu da luta.

“No Brasil, o povo não suporta mais Bolsonaro. Ele é fruto do golpe de 2016. Ele só está no governo porque o golpe que retirou do poder uma pessoa honesta, a presidenta Dilma, e impediu que Lula fosse presidente do país com a sua prisão. Estamos nesta situação hoje como resultado deste golpe de 2016, gestado pelo governo norte-americano, para acabar com o nosso patrimônio, nosso petróleo e agora as estatais, Eletrobras, Correios… O que se coloca para a gente no futuro é muita luta para defender a possibilidade da continuidade dos sonhos da educação, saúde e serviços públicos”, afirmou Ismael.

O presidente da CUT/SE, Roberto Silva agradeceu a colaboração de todos na construção dos dois dias de plenária. “A CUT é de todos nós. Precisamos construir a Central Única dos Trabalhadores, a cada dia, mais forte. E a gente precisa ter no nosso horizonte este cenário pós-pandemia que foi trazido aqui. Sergipe tem uma das maiores taxas de desempregos do Brasil e qual a ação do governo Belivaldo para enfrentar este problema? Precisamos estar juntos para organizar a classe trabalhadora neste país”, afirmou Roberto.

Delegados Escolhidos e Mudanças na Diretoria

A 16ª Plenária Estatutária da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe) elegeu os 7 delegados que faltavam para compor a delegação sergipana rumo à Plenária Estatutária Nacional da CUT, marcada para o mês de outubro deste ano.

Além do presidente da CUT Sergipe, Roberto Silva, Iara Nascimento, Ivonete Cruz, e Maria José Moura, que são delegados natos; foram eleitos: Arlete Silva, Claudia Oliveira, Ivonia Aparecida Ferreira, Rosely Anacleto, Plínio Pugliesi, Jairo de Jesus e João da Fonseca.

A Plenária também alterou a diretoria da CUT Sergipe. O ex-presidente da CUT/SE, Rubens Marques (SINTESE), foi para a diretoria ampliada da CUT/SE; Caroline Rejane (SINDIJOR) ocupa seu lugar na secretaria de Formação Sindical; o companheiro Givaldo Sena (SINDIBRITO) é o novo secretário de Relações de Trabalho e o companheiro Manoel Pedro (SINTESE) está na Direção Estadual da CUT/SE.

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