Aracaju, 25 de setembro de 2021

Hidroxicloroquina: estudo da UFS confirma a ineficácia para prevenção e tratamento da covid

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Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) conseguiram reunir evidências científicas robustas para responder a controvérsia sobre o uso clínico da hidroxicloroquina para a prevenção e o tratamento da covid-19. O estudo de revisão sistemática com meta-análise confirmou que o remédio antimalárico não funciona contra o novo coronavírus. O resultado da pesquisa foi publicado no último sábado, 28, na revista médica The Lance Regional Health, uma das mais prestigiadas do mundo.

A publicação na edição regional da revista nas Américas busca sintetizar as principais evidências sobre a eficácia e a segurança do medicamento como profilaxia pré e pós-exposição e no tratamento de pacientes. Isto é, antes e depois da exposição ao novo vírus respiratório bem como para tratar pacientes hospitalizados ou não com a infecção.

Liderada pelo professor do Departamento de Educação em Saúde e chefe do Laboratório de Patologia Investigativa da UFS, Paulo Ricardo Martins Filho, a pesquisa explora as principais questões acerca da possibilidade de reaproveitamento do fármaco para a covid-19 devido à sua atividade antiviral in vitro contra o SARS-CoV-2.

“Existem muitas polêmicas ainda em relação ao uso da hidroxicloroquina para covid-19. Então, resolvemos fazer uma revisão sistemática com meta-análise, que busca e avalia criticamente a literatura existente. Uma revisão bem desenhada consegue fornecer a melhor evidência científica disponível em relação a uma determinada questão, sendo muito importante, por exemplo, para tomada de decisão em saúde”, explica Martins.

Na revisão sistemática, os pesquisadores identificaram 2.871 registros de estudos a respeito do uso da hidroxicloroquina para prevenir e tratar a covid-19, no período de 1º de janeiro de 2020 a 17 de maio de 2021. As buscas sobre o tema foram realizadas nas bases de dados do PubMedWeb of ScienceEmbaseLilacsClinicalTrials e medRxiv.

“Fizemos uma busca muito abrangente na literatura médica. Foram várias bases de dados consultadas, repositórios de preprints, incluindo aqueles estudos que ainda não tiveram a avaliação feita por pares. Essa meta-análise acaba sendo a mais completa, até então, em relação à eficácia e segurança do fármaco”, ressalta o professor.

O próximo passo da pesquisa se dedicou a filtrar os registros, considerando como critérios de inclusão: a população de estudo (indivíduos com alto risco de exposição ao SARS-CoV-2 e contato próximo com um caso positivo ou suspeito; pacientes internados e não internados); o grupo de intervenção (hidroxicloroquina); o grupo de comparação (placebo); os desfechos clínicos (incidência da infecção, necessidade de hospitalização, tempo de internação, necessidade de ventilação mecânica invasiva, óbitos e eventos adversos); e o tipo de estudo (ensaios randomizados cegos e controlados por placebo).

Com essa triagem, de quase 3 mil estudos, apenas 14 ensaios clínicos randomizados cegos e controlados por placebo foram selecionados para a meta-análise. Neste tipo de estudo, um grupo de indivíduos faz uso da terapia ou exposição, sendo acompanhado por outro grupo que não a utiliza. A divisão dos participantes em cada grupo é aleatória.

“Os resultados desse estudo acabam não suportando o uso da hidroxicloroquina nem para prevenção da covid-19, já que não observamos uma diminuição de risco de desenvolvimento da doença para aqueles indivíduos que usaram o medicamento como forma profilática, nem tão pouco para o tratamento, seja na forma mais leve da doença ou nas formas mais graves. Não há uma diminuição de risco para aqueles indivíduos que usam hidroxicloroquina em termos de necessidade de hospitalização, ventilação mecânica e até mesmo o óbito”, pontua Paulo Martins.

A partir da meta-análise, o pesquisador ainda alerta para a observação de um aumento do risco de eventos adversos diante do uso indiscriminado do fármaco antimalárico e imunomodulador, especialmente no que se refere a sintomas gastrointestinais.

Além de Paulo Ricardo Martins Filho, o artigo publicado na revista científica é assinado por Adriano Antunes de Souza Araújo, Lis Campos Ferreira, Luana Heimfarth e Lucindo José Quintans Júnior, do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da UFS.

The Lancet Regional Health

The Lancet Regional Health – Americas é uma das revistas do conjunto de periódicos de iniciativa global da The Lancet para defender a qualidade e o acesso aos cuidados de saúde em todas as regiões do mundo. A publicação busca promover o avanço da prática clínica e da política de saúde nas Américas, a fim de melhorar os resultados de saúde, aspirando ainda aumentar a qualidade da pesquisa em saúde regional e nacional.

Fonte: UFS

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