Aracaju, 25 de setembro de 2021

Mais de 680 ocorrências de atendimento a pacientes psicossociais

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em junho deste ano estimativas publicadas no relatório “Suicide worldwide in 2019”. Segundo a OMS, o suicídio continua sendo uma das principais causas de morte em todo o mundo. Anualmente, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária, câncer de mama ou guerras e homicídios. Em Sergipe, o Corpo de Bombeiros atendeu 683 ocorrências de contenção de pacientes psicossociais de janeiro de 2020 a julho de 2021, em chamadas atendidas pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp). A Polícia Militar, em seu trabalho ostensivo, também socorre inúmeras pessoas tentando tirar a própria vida.

Segundo os dados da OMS, em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio, uma em cada 100 mortes. Em 2020, quando a Covid-19 começou a se espalhar pelo Brasil, as autoridades ligaram o alerta para o aumento nos casos de suicídios devido à adoção de medidas mais restritivas para conter o vírus, a exemplo do isolamento social, pois a depressão e transtornos mentais em várias faixas etárias podem levar ao suicídio.

Uma pesquisa feita no ano passado pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mostrou que cerca de 89% dos 400 psiquiatras destacaram o agravamento de quadros de saúde mental em seus pacientes devido à pandemia do novo coronavírus.

Na atuação pela preservação da vida, o sargento Marcos Santos e o sargento Robério Leal, em suas rondas, evitaram que pessoas cometessem suícidio. Neste mês de agosto, houve um caso na região conhecida como Distrito Industrial de Aracaju. Nessa ocorrência, o soldado Neto Asevedo integrava a guarnição que fazia ronda na localidade quando percebeu um homem, com um lençol em volta do pescoço, tentando se enforcar no viaduto. De imediato, o rapaz foi socorrido e teve a vida salva.

Resgate no Viaduto

O soldado Antônio Neto relembrou o dia em que estava com a equipe realizando rondas nas imediações do bairro Inácio Barbosa e se deparou com uma tentativa de suícidio no viaduto do DIA. “Estávamos em patrulhamento ostensivo na madrugada agora em agosto e, ao passar nas proximidades do Terminal do DIA, visualizamos duas viaturas isolando a área e um jovem após o parapeito do viaduto prestes a se jogar e enforcar”, lembrou.

De imediato, em torno da situação, a equipe agiu rápido e começou a conversar com o jovem. “As viaturas estavam aguardando o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Mas, percebemos que, devido à logística das outras unidades, levaria um tempo e o rapaz estava em surto. Então fomos além da nossa competência para salvar aquela vida. Não conseguimos calcular o perigo que nós estávamos nos expondo ali e fomos”, contou o soldado.

O militar narrou que foi necessário a intervenção da equipe para que uma vida fosse salva. “Tentamos nos aproximar dele na intenção de acalmá-lo e convencê-lo a desistir daquela ação. Fomos nos aproximando e ganhando a confiança dele. Isso demorou uns 30 minutos até que conseguíssemos chegar próximo dele. Em determinado momento, o patrulheiro da nossa guarnição pegou no braço e tentou puxá-lo. Nesse momento, o jovem se jogou e ficaram os dois pendurados. Eu e os outros dois policiais nos jogamos para segurá-los e conseguimos puxá-los”, rememorou.

Salvamento na ponte

O sargento Souza Leal também teve a experiência de salvar uma vida. O militar descreveu o dia em que a equipe seguia para o policiamento de rotina na Região Metropolitana. “Em 2019, seguimos para o patrulhamento na Barra dos Coqueiros e, logo na subida da ponte, um popular apontou para a viatura e gesticulou na direção da ponte. Quando iniciamos a curva nos deparamos com uma senhora que já tinha passado a parte de segurança da ponte e estava tentando se jogar. Desembarcamos, aproximei e verbalizei e outro colega verbalizou também. Quando ela mudou a visão para o colega, o nosso motorista a segurou pela cintura e eu segurei e puxei, e conseguimos evitar”, relembrou.

O militar lembrou que, após o salvamento, a equipe conduziu a mulher para o Hospital São José. O sargento complementou descrevendo a sensação de contribuir com a preservação de uma vida além do dia a dia policial. “O policial militar está diuturnamente nas ruas, preparado para qualquer tipo de ocorrência e se deparando com essa situação, temos que agir. É nosso dever. É mais que gratificante, você se sente que foi uma peça de Deus. Ele te colocou ali naquele momento e você conseguiu salvar uma vida. O policial militar está preparado para toda e qualquer ocorrência”, reconheceu.

Uma nova chance

Outro resgate realizado pela equipe ocorreu no viaduto próximo ao Fórum Gumersindo Bessa, na avenida Osvaldo Aranha, em Aracaju. O sargento Marcos Santos recordou que, assim que a equipe viu um homem tentando tirar a própria vida no local, os policiais foram ao encontro dele. “Estávamos patrulhando e passando em frente ao viaduto do fórum, na Osvaldo Aranha, avistamos um rapaz tentando tirar a própria vida. Paramos nossa viatura e descemos. Comecei a verbalizar com ele, perguntando o porquê ele queria fazer aquilo. E ele nos contou. Interagindo com ele, tentei fazer com que voltasse para a realidade. Nesse momento, eu interagi com ele e o colega chegou mais próximo e conseguiu segurá-lo. E aí tivemos a tranquilidade de que ele não cometeria mais aquela ação”, narrou.

União de esforços na preservação da vida

No dia a dia da preservação de vidas, o Corpo de Bombeiros também tem atuado nas ocorrências em que envolvem as tentativas de suícidio. O tenente-coronel Jairo Cruz explicou que, embora o transporte de pacientes psicossociais seja feito pelo Samu, há situações em que a intervenção das outras instituições é essencial para evitar o suicidio.

“Existe um termo de ajustamento de conduta em que o transporte de pacientes psicossociais é realizado pelo Samu, que chegando ao local da ocorrência e verificando que a vítima esteja agindo de forma agressiva, é pedido o apoio do Corpo de Bombeiros. Se a vítima estiver com algum tipo de arma, também será acionada a Polícia Militar. Mas o Corpo de Bombeiros preza pela conversa, tentando convencer a vítima a ser conduzida da forma mais pacífica possível, pois o uso da força pode agravar os problemas psicossociais do paciente”, detalhou.

O tenente-coronel Jairo Cruz revelou que houve aumento nas ocorrências de contenção de pacientes psicossociais nos últimos meses. “Em 2020, tivemos uma média de 443 casos de contenção de pacientes psicossociais. De janeiro a julho, já tivemos 240 ocorrências dessa natureza, ou seja, mais de 50% do registrado no ano anterior. Vem crescendo muito esse tipo de atendimento pelo Corpo de Bombeiros. Os motivos são diversos, mas não são divulgados. Não temos dados técnicos de que foi a pandemia, mas tudo leva a crer que tenha relação. O Corpo de Bombeiros não pode afirmar”, concluiu.

Fonte e foto SSP

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