Aracaju, 19 de setembro de 2021

Carta à Nação – Jair Bolsonaro pelo Espírito Michel Temer, escreve delegado Paulo Márcio

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*Por Paulo Márcio Ramos Cruz

Pela enésima vez irei citar uma das frases célebres do escritor Saint-Exupéry, autor do clássico O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Cativar é alimentar diariamente os sonhos alheios, falar ao coração das pessoas, conquistar-lhes a confiança, o respeito, a admiração, tornar-se, de alguma forma, repositório de suas esperanças e aspirações.

O presidente Jair Messias Bolsonaro entrou em sintonia com milhões de brasileiros ao dizer aquilo que eles desejavam ouvir, sem meias-palavras, sem o verniz da hipocrisia, sem a polidez da diplomacia.

É verdade que quem se deixou seduzir pelo discurso é igualmente responsável pelo atual estado de coisas, porque, no fundo, tudo é uma questão de sintonia, de vibração. Mas o líder é o verdadeiro timoneiro. É ele quem controla o leme e define o curso a seguir. Se entra água na embarcação, compete a ele cuidar para que todos sejam salvos, ainda que ao custo da própria vida.

Acontece que a nau bolsonarista, vira e mexe, encontra uma tormenta pela frente. E, em todas as vezes, o capitão se aboleta no primeiro bote a descer à agua, garantindo um lugar seguro para si e sua prole. Em terra firme – mas não tão firme assim -, encarrega seus escribas de redigir e difundir versões nas quais irrompe em cena como um herói lendário, um grande estrategista que não teria abandonado tripulantes e passageiros, mas, ao reverso, adotado uma decisão tão sábia e altruísta que, somente com o passar de muitas eras, começará a ser compreendida por mentes avançadíssimas.

É por isso que soou tão mal aos ouvidos de milhões de admiradores as notas da capitulação escrita por Michel Temer, imediatamente transformada em genial estratégia de pacificação nacional pelos narradores oficiais do Planalto, cada dia mais confusos e menos convincentes.

Mas não se enganem: entregar a cabeça de trabalhadores lobotomizados ao STF, numa reluzente bandeja de prata, e, sabe-se lá por quais métodos, aprisioná-los em uma espécie de síndrome de Estocolmo precoce, a fim de evitar uma sublevação, pode até parecer manobra de estadista para quem perdeu o senso crítico e encontra-se totalmente permeável a qualquer fantasia que lhe satisfaça a consciência embotada.

Difícil, no entanto, é encarar a realidade e aceitar o fato de que uma nação inteira foi mobilizada para simplesmente garantir que os filhos do presidente – e quem sabe ele próprio – tivessem direito a um acordo que os livrasse do mesmo fim concedido a outros apoiadores.

É muito cedo, portanto, para celebrar essa malcheirosa calmaria, que não passa de efeito do estupor que tomou conta das pessoas após a divulgação da carta à nação. Só o tempo dirá, com segurança, se é possível conter as ondas do oceano com as palmas das mãos.

*Paulo Márcio Ramos Cruz é  delegado de polícia

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