Aracaju, 5 de dezembro de 2021

A influência evangélica no atual cenário político brasileiro

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Movimentos e igrejas evangélicas formam bancada com cerca de 200 parlamentares, que atua em defesa de interesses das instituições e pautas conservadoras

O discurso “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, enunciado frequentemente pelo presidente Jair Bolsonaro, deixa evidente a influência da religião na política-partidária brasileira. Os evangélicos constituíram-se hoje como um dos grupos mais fortes e mais atuantes no cenário político brasileiro, através de uma grande bancada de deputados e senadores que se articulam no Congresso Nacional e atuam principalmente em defesa da “agenda moral”, contrária a temas como ideologia de gênero, aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Os evangélicos, em suas várias denominações, começaram a atuar de forma mais intensa na política em 1960, através do movimento “O Brasil para Cristo”, e conseguiram eleger, na época, seu primeiro deputado federal. Antes disso, o Brasil foi governado pelo presbiteriano João Café Filho, presidente da República entre 1954 e 1955, após a morte de Getúlio Vargas. Entretanto, esse movimento foi fortalecido em 1986, com a inclusão de parlamentares após o fim do Regime Militar e início da Assembleia Nacional Constituinte.

A professora Eunice Aparecida Borsatto, tutora dos cursos de História e Pedagogia EaD da Universidade Tiradentes (Unit EaD), relembra que a Igreja Assembleia de Deus e, em sua maioria, as denominações pentecostais, concentraram-se na intenção do lançamento de um deputado por Estado,com o slogan ‘Irmão vota em irmão’. Contudo, a formação da bancada evangélica no Congresso Nacional só aconteceu na década de 1990 e foi alicerçada pelo plano político da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), cujo líder, o bispo Edir Macedo, adquiriu a Rede Record de Rádio e Televisão, em 1989. “Ela utilizou esses canais para divulgar a ideologia e conclamar a importância dos “paladinos do bem” no cenário político brasileiro”, conta Eunice.

Atualmente, a Frente Parlamentar Evangélica, nome oficial da bancada evangélica, conta com 194 deputados e oito senadores. Para a professora, a bancada busca “defender propostas que além de angariar e manter privilégios e poderes políticos, tentam controlar os corpos e a sexualidade dos outros”. Entre os temas mais caros ao movimento, estão a isenção tributária para igrejas, concessões de canais de televisão e rádio, e defesa de pautas conservadoras como a proibição do aborto e de discussões sobre gêneros, educação sexual e combate à homofobia nas escolas.

“A Bancada Evangélica alicerça seu projeto de poder em dois pilares: Teologia da Prosperidade (TP), em que todos os fiéis têm direito a saúde, bem-estar e boa situação financeira para desfrutarem dos privilégios de serem ‘filhos do Rei’ e da Teologia do Domínio (TD) onde a realidade tanto física quanto espiritual, se restringe a luta do cristão contra o diabo, aqui representados pelos santos católicos e guias de religiões de matriz africana”, destaca Eunice.

Em 2017, a bancada evangélica na Câmara aprovou uma emenda que proíbe o aborto em todas as circunstâncias. Em 2019, conseguiu aprovar o projeto de reforma da previdência. Já em 2020, 76% da bancada apoiou a proposta do voto impresso. E no momento, seus principais esforços estão na indicação do pastor presbiteriano André Mendonça, ex-ministro da Justiça, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Eunice Borsatto, trata-se da “junção da extrema-direita reacionária brasileira com projetos de poder de viés ideológico e/ou financeiro das igrejas evangélicas, colocando em xeque a democracia brasileira” e evidenciando como a sociedade “é, infelizmente, manipulada pelos políticos segundo seus próprios interesses”.

Assessoria de Imprensa

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