Aracaju, 5 de dezembro de 2021

Cresce em 105% os ataques contra jornalistas brasileiros

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por: Iracema Corso

O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, dia 2 de novembro, foi a data escolhida para o início da campanha nas redes sociais #PelaVidaDeJornalistas e contra o ambiente de violência, marcado por ameaças de morte, de estupro e perseguição de grupos de direita contra jornalistas nas redes sociais.

O aumento da violência contra jornalistas nas redes sociais subiu 105% entre os anos de 2020 e 2021, como denuncia o documentário ‘Comunicação Violada – o jornalismo sob o ataque nas redes’, lançado na quarta-feira, dia 3/11, pela ONG Criar Brasil. Além dos casos de violência crescente, ainda há a impunidade. No mundo inteiro, 87% dos assassinatos de jornalistas continuam sem solução.

Diante do aumento da violência no Brasil, surge o alerta sobre a necessidade de mobilização em defesa da democracia e pela vida de jornalistas e comunicadores/as.

Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (SINDIJOR/SE), Milton Alves Júnior afirma que em Sergipe não há registro de casos de violência física contra jornalistas.

“As discordâncias e embates políticos com a imprensa sempre houveram, mesmo com Temer ou com Lula na presidência, mas só no governo Bolsonaro temos visto agressões verbais constantes, censura, opressão e tentativa de impedir o jornalismo na apuração dos fatos. Uma agressão verbal praticada pelo presidente faz crescer o clima de violência contra jornalistas”, explicou o presidente do SINDIJOR/SE.

Para Milton, a banalização da violência é perigosa e gera efeitos negativos. “Em Sergipe, os radialistas que atuam no interior, em municípios como Itabaiana e Lagarto sofrem ameaças verbais. Chega ao ponto de o ouvinte entrar no programa de rádio para fazer ameaça de morte ao radialista”, afirmou.

Segundo Milton Alves, o SINDIJOR/SE acionou agentes da Secretaria de Segurança Pública para fazer a proteção dos jornalistas e criou uma cartilha falando sobre prevenção contra situação de violência. “Distribuímos a cartilha uma semana antes de Bolsonaro chegar em Sergipe. O radialista e jornalista Marcos Couto fez uma pergunta sobre o leite condensado que irritou Bolsonaro, e ele acabou não respondendo a pergunta. Os apoiadores do presidente empurraram Marcos Couto que também sofreu ofensas verbais, mas nada de agressão física muito grave. Nossa forma de agir contra a violência ao jornalista é preventiva”.

De acordo com Milton, a diretoria do SINDIJOR/SE é formada por jornalistas de vários veículos diferentes e difunde nas redações as tácticas de proteção para que não ocorra nada grave com ninguém durante a cobertura. “Alguns colegas da TV reclamaram porque estão em protestos da esquerda fazendo a cobertura e na hora da passagem vários manifestantes ficam atrás gritando Fora Bolsonaro, isso desconcentra o repórter, mas não pode ser considerado uma agressão. Não é feito para agredir, é uma forma de se manifestar e pautas na rua sempre têm esta possibilidade. Aqui assistimos estarrecidos outros episódios de violência no Sul e Sudeste do Brasil, onde há destruição de equipamentos e ameaça real à integridade física da equipe”.

Como uma espécie de autocensura já prevista num ambiente de agressividade que faz o medo se impor sobre o jornalismo, alguns repórteres de TV preferem não cobrir presencialmente atos pró Bolsonaro em Sergipe. Preferem fazer uma nota, ou comparecem sem identificação do canal, outra táctica é fazer as entrevistas num local distante da manifestação.

Dirigente do SINDIJOR/SE e secretária de Formação Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT/Sergipe), Caroline Santos avalia que sem jornalismo livre não existe democracia de verdade. “Os casos recentes de crescimento da violência contra jornalistas mostram a dimensão do retrocesso democrático que vivemos hoje no Brasil. O fascismo se alimenta da mentira, por isso jornalistas são alvo do bolsonarismo fascista que precisamos derrotar e denunciar constantemente até que este clima de violência e silêncio conivente seja vencido com o fim da impunidade”, declarou Caroline Santos.

Acesse o link e assista o  documentário ‘Comunicação violada – o jornalismo sob o ataque nas redes sociais’ para se inteirar da realidade atual marcada por vários casos de violência contra jornalistas em todo o Brasil.

Imagem: CUT Brasil

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