Aracaju, 28 de novembro de 2021

Dia Municipal da Mulher Negra – Rejane Maria, pode virar lei

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

No mês da Consciência Negra, uma importante vitória foi alcançada pelo conjunto dos movimentos negros e de mulheres negras em Sergipe. O PL nº 57/2021 de autoria da vereadora Linda Brasil (PSOL) foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Aracaju e inclui no calendário oficial de Aracaju, o Dia Municipal da Mulher Negra – Rejane Maria Pureza do Rosário, a ser comemorado no dia 25 de julho.

A data já marca a luta histórica de mulheres negras no Brasil e no mundo, é o Dia Internacional de Mulheres Afro-latino americano e caribenhas e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, em homenagem a uma guerreira quilombola que lutou pela abolição e libertação da população negra escravizada.

Legislações como a 10.639/2003, que obriga que escolas e instituições de ensino trabalhem com conteúdos africanos e afro-brasileiros, tem o intuito de reorientar aprendizados que tem perpetuado o olhar colonizador. A perspectiva de pessoas negras sobre suas próprias histórias começam a ser contadas a pouco tempo, como coloca a autora Chimamanda Ngozi Adichie.

A iniciativa da oficialização do Dia Municipal da Mulher Negra, traz para a ordem do dia a importância e urgência do tema, de discutir a vida do segmento populacional mais subalternizado na sociedade, como aponta o Mapa da Violência e o Dossiê da Situação da Mulher Negra, organizado pelo IPEA.

“O dia da mulher negra – Rejane Maria Pureza do Rosário traz um ar de fortalecimento, esperança e empoderamento para nós mulheres  negras sergipanas que estamos aqui todos os dias na luta contra o racismo, machismo e feminicídio. A aprovação da lei é uma vitória para população negra  sergipana, e uma homenagem a todas nossas companheiras de luta que se foram e de alguma forma deixaram seu legado. Salve Rejane, grande mulher, guerreira,exemplo de luta e força de vontade”, declarou Lindiwe Makini.

Sua trajetória fez brotar, nesta capital, o Coletivo de Auto-organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria, que promove a troca de experiências entre mulheres negras sergipanas de vários segmentos sociais, estimulando-as a refletir e debater sobre a complementaridade de suas lutas e estabelecer redes de solidariedade para a atuação nas instituições e nos movimentos.

“É importante a aprovação pra nos dar representatividade e legitimidade diante da sociedade civil, pois somos mortas, invisibilizadas, massacradas, exploradas e sexualizadas diariamente. Mesmo não tendo garantia teremos esse apoio, que é o mínimo de reparação histórica”, lembrou Ana Cris, integrante da Rejane Maria.

Além do reconhecimento da importância da questão para tratar das políticas públicas para as mulheres negras, é também uma oportunidade de aprender sobre mulheres que fizeram história no município, a exemplo da grande militante Rejane Maria Pureza do Rosário.

A capoerista, fundadora da Associação Abaô de Capoeira, passou por movimentos como a Saci, a Unegro, a Sociedade Omolayiê e foi filha do Ilê Asé Opo Osogunladê e mãe de Lindiwe Makini.

Sua atuação, no Município, foi fundamental, em diversas frentes, como na valorização das culturas de matrizes africanas, direitos das crianças e adolescentes em situação de risco, equidade nas relações de gêneros e contra a intolerância religiosa. Rejane, que também era capoeirista e feminista, fora ardente defensora da leitura e educação e idealizou o projeto Ponto de Cultura Batuque de Angola, espaço para a comunidade do Bairro Industrial, cuja sala de leitura leva seu nome.

“É a partir destes marcos temporais que também se ganha visibilidade em outros dias. Se existe uma data para exaltar a luta e importância das mulheres negras, é para garantir e ampliar suas conquistas, mas também porque ainda há um contexto de muita violência e racismo, onde mulheres negras são as maiores vítimas.  É por meio da instituição de uma data no calendário que movimentamos ações, atitudes, impactamos a cultura e também políticas públicas. A partir do calendário, estamos estimulando que a administração municipal incentive que seus órgãos e empresas públicas criem ações de incentivo e atuem de forma colaborativa com ONGs, Associações e grupos específicos, para inserir a discussão e problemáticas na sociedade”, refletiu Linda.

Fonte e foto assessoria

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Leia também

Inscritos no Enem fazem neste domingo segundo dia de provas
Covid-19: Aracaju vacinou 17.398 mil pessoas nesta semana
Vice-governadora conhece serviços da Casa Mulher em Itabaianinha
Senador Alessando Vieira protocola emenda substitutiva para barrar interesses individuais