Aracaju, 21 de janeiro de 2022

Estupro: por que é importante debater o assunto nas escolas

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

A psicóloga Jamile Teles explica o uso do termo e como a sexualização e a violência sexual tornaram-se normais na sociedade

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 88% das vítimas de estupro são mulheres. Em 50% dos casos, elas foram ameaçadas ou forçadas à relação sexual. Crianças e adolescentes também são vítimas e, em 50% destes casos, o estupro é cometido por parentes, amigos ou conhecidos. O dado mais alarmante é que somente 10% das ocorrências são denunciadas.

No Brasil, o uso do termo cultura do estupro chama a atenção contra a normalização desse crime (artigo 213 do Código Penal Brasileiro). A expressão surgiu nos anos 70 pelo movimento mundial feminista para descrever um ambiente no qual as práticas, valores e normas culturais naturalizam e aceitam a violência sexual, principalmente contra as mulheres.

Segundo a psicóloga, doutora em Saúde e Ambiente e professora da Universidade Tiradentes (Unit) Jamile Santana Teles, a arte, a música e a dança, ainda que sejam aspectos positivos da cultura, podem despertar comportamentos negativos que são reproduzidos pelas pessoas, normalizando, por exemplo, a violência sexual e a sexualização do corpo da mulher.

“A cultura do estupro permite a objetificação dos corpos e reforça a violência sexual, pois passa a mensagem de que a mulher não é um ser humano, e sim uma coisa. São comportamentos tanto sutis quanto explícitos, que silenciam ou relativizam a violência sexual contra a mulher”, esclareceu a doutora.

Como detentora do poder de criar uma cultura, a sociedade também tem a capacidade de modificá-la. “É importante destacar que a cultura é criada pelos indivíduos; logo, ela pode ser modificada. Nesse caso, é urgente erradicar a naturalização da cultura do estupro. Falar sobre a cultura do estupro contribui para dirimir dúvidas, mas também modelar comportamentos que hoje são inaceitáveis. Não é mais concebível uma mulher, crianças ou adolescentes serem forçadas a uma relação sexual sem o seu consentimento (consciente ou inconsciente), uma vez que trata-se de violência sexual”, afirmou Jamile.

De acordo com a psicóloga, o assunto pode ser abordado nas escolas por meio de atividades lúdicas, palestras e psicoeducação. “É urgente que sejam realizadas ações com informações seguras para que esses casos não ocorram mais. Orientar desde as crianças sobre as partes do corpo que são privadas e que não podem ser tocadas (semáforo do corpo), assim como para os jovens, para uma desconstrução dos resquícios de uma sociedade machista e com base no patriarcado, que entende que o homem tem o poder sobre a mulher, inclusive na sexualidade”, destacou.

“Também é necessário debater nos veículos de comunicação, para que reflexões sejam realizadas e, assim, haja uma tomada de consciência para essa temática, pois é por conta de julgamentos e críticas que grande parte das vítimas não denuncia os estupros e outros tipos de violência que sofre. E, principalmente, ajudar a sociedade a compreender que a culpa nunca é da vítima, e sim do autor da violência. Dessa forma, o agressor precisa ser punido e à vítima precisa ser oferecida uma rede de apoio para o enfrentamento dessa dor física e emocional”, enfatizou a psicóloga Jamile.

Assessoria de Imprensa

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Leia também

Gestores sergipanos têm até 30 de janeiro para enviar informações ao TCE
Trânsito na avenida Beira Mar será parcialmente interditado no próximo domingo, dia 23
Flash Político: Gustinho pode filiar-se ao Republicanos e disputar a reeleição pela sigla
Dia dos Aposentados será de luta contra confisco de 14% em Sergipe