Aracaju, 19 de janeiro de 2022

Linguista explica por que crianças portuguesas estão falando igual ao Luccas Neto

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Influenciadas pelo modo de falar do YouTuber, crianças portuguesas estão falando português “brasileiro”.

Recentemente, a imprensa brasileira publicou uma reportagem sobre meninos e meninas de Portugal falando português brasileiro”, igual ao YouTuber Luccas Neto. Linguistas explicam que o fenômeno é novo, mas não incomum, e necessita de atenção, acompanhamento afetivo das crianças e estudos científicos.

De acordo com a doutora em letras e professora da Universidade Tiradentes (Unit), Ana Cláudia Mota, as transformações linguísticas acontecem depois de longos períodos, diferentemente do episódio observado pelo modo de falar dos pequenos portugueses.

“O fenômeno observado com o YouTuber Luccas Neto é novo, tendo em vista o alcance que a internet passou a exercer no seio familiar. Outrora, essas mudanças se davam através do contato linguístico mantido entre as populações, sobretudo em relação à oralidade. A língua escrita, na sua essência, por seguir normas rígidas preestabelecidas, sempre foi mais resistente às transformações”, explicou a professora.

Para uma criança, é muito mais fácil assimilar, compreender e processar informações. Metaforicamente, ela é como uma esponja, absorvendo os aprendizados. “A partir dos dois meses, isso pode variar para mais ou menos, quando inicia-se o processo de aquisição da linguagem, período em que as crianças passam a reconhecer a voz da mãe, do pai e daquelas pessoas com as quais têm um contato mais próximo, e vai paulatinamente desenvolvendo a linguagem, cuja maturidade se adquire por volta dos 7 anos de idade”, esclareceu.

“Com a pandemia e o isolamento social, a internet passou a ser o principal meio de interação e acesso à informação, e para as crianças isso se deu de modo muito marcante. O público infantil que está passando por esse processo de assimilação linguística está justamente na faixa etária de aquisição da linguagem. E, por serem expostas a um grande volume de horas assistindo a esses programas, passam a reproduzir o que veem e escutam”, afirmou a doutora em letras.

Provavelmente, a interferência no linguajar dessas crianças seja momentânea. Com o decorrer dos anos, elas estarão inseridas em ambientes onde predominantemente fala-se o português de Portugal, e serão fortemente influenciadas por esses meios, seja familiar, escolar ou de trabalho.

“Tanto na infância como na juventude é natural que os falantes se apropriem do vocabulário daquele grupo no qual está mais imerso. Normalmente, são fases, sobretudo para o indivíduo que tem acesso ao ensino formal, a exemplo da formação universitária, que se aproxima de um modelo linguístico culto. Já o adulto, maduro linguisticamente, naturalmente é mais resistente à assimilação linguística, todavia, esse fenômeno pode ocorrer por demandas e pressões sociais”, considerou.

Origens da língua

O português é uma língua derivada do latim, com influência do latim falado no Império Romano e dos dialetos dos povos bárbaros que habitavam a Europa no início da Idade Média. Somente entre os séculos XII e XVI, já durante a Baixa Idade Média e a Idade Moderna, é que o português rudimentar se consolidou como idioma.

“A língua portuguesa é proveniente do latim vulgar, dialeto popular e informal do latim falado por várias camadas da população romana. Através desse processo de diferenciação pelo qual passou o latim vulgar, foram originados, além do português, o francês, o espanhol, o italiano e o romeno”, ressaltou Ana Cláudia.

Foi preciso muito décadas para que tais idiomas sofressem as mudanças necessárias das línguas nativas para que fossem consideradas idiomas estabelecidos. “A mudança constante é uma característica marcante do ser humano, e a língua, importante elemento que representa e define um povo, acompanha pari passu [no mesmo passo ou ritmo] essas transformações”, disse.

Comportamento

Segundo a doutora, o acontecimento com as crianças portuguesas necessita de atenção dos pais. “O episódio de assimilação linguística em questão deve ser encarado pelas famílias como um ponto de atenção, sobretudo quando se trata de educação e imposição de limites. Todo excesso traz as suas consequências, portanto, dosar o tempo de tela das crianças e estabelecer um maior contato com os filhos, expondo-os a situações do seu cotidiano e ambiente familiar, certamente será salutar e harmônico para pais e filhos”, finalizou a professora.

Assessoria de Imprensa

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