Aracaju, 28 de janeiro de 2022

Na luta por creche e por direitos cumpridos, SINDOMESTICO reúne trabalhadoras em Sergipe

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

Para conquistar avanços para trabalhadoras domésticas de Sergipe, Seminário promovido na sede da CUT impulsiona mobilização, união e conhecimento dos direitos conquistados

O Seminário ‘Direito das Trabalhadoras Domésticas e a Luta por Creche’, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Sergipe, no último sábado, dia 18/12, reuniu na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe) movimentos sociais, sindicalistas, representantes do Motu, MLB, Casa das Domésticas, dirigentes da CUT e várias trabalhadoras domésticas que trouxeram relatos do seu dia-a-dia.

Dirigente do SINDOMESTICO e da CUT/Sergipe, Quitéria Santos revelou as dificuldades enfrentadas pelas trabalhadoras domésticas mães de família.

“Eu criei meus filhos com meus pais tomando conta porque eu dormia no emprego. Muitas trabalhadoras domésticas, como eu, não tiveram sequer o direito à maternidade. Eu vim descobrir que meu filho não comia cebola quando ele já tinha 15 anos. Eu não ia para reuniões de pais na escola, não participei da criação deles”, recordou a sindicalista.

Quitéria apontou que berçários e creches são essenciais. “Precisamos de mais creche para as mães e pais poderem trabalhar com segurança. Principalmente após a saída da licença maternidade, a mãe trabalhadora fica sem ter com quem deixar sua criança e a primeira educação é fundamental para o desenvolvimento infantil”, destacou Quitéria Santos.

Maria Aparecida Marques, presidenta do SINDOMESTICO, além da experiência como trabalhadora do lar, também trabalhou por mais de 10 anos numa creche e presenciou diariamente o sufoco que muitas mães, trabalhadoras domésticas, enfrentavam.

“A luta da trabalhadora doméstica é muito difícil. Eu morava no Parque dos Faróis, pegava ônibus com duas crianças para deixar na creche, uma delas de colo. Isso porque consegui vaga na creche, e muitas mães trabalhadoras procuram, mas não conseguem encontrar”, recordou Aparecida.

Segundo Aparecida, no passado havia berçário e creche que recebiam o bebê da trabalhadora doméstica de 4 meses, então as mães podiam voltar a trabalhar assim que saiam da licença maternidade. “A criança ficava dos 4 meses até a alfabetização, aos 7 anos. Hoje só tem creche a partir dos 3 anos e meio. E como a mãe trabalhadora se resolve?”, questionou Aparecida.

DIREITOS CONQUISTADOS

Após a palestra da advogada Jinalania de Jesus Santos, o público do Seminário ficou ciente dos direitos dos trabalhadores domésticos conquistados recentemente.

Roberto Silva, presidente da CUT Sergipe, participou do Encontro e observou o respaldo legal desta luta. “O auxílio creche para as trabalhadoras domésticas é um direito conquistado no Governo Dilma através da PEC das Domésticas que garantiu aos trabalhadores domésticos todos os demais direitos que outras categorias de trabalhadores tinham e as trabalhadoras domésticas não possuíam. A questão é que existe um acordo coletivo nacional homologado pela Fenatrad (Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas) que não é respeitado pelos patrões”, explicou.

De acordo com Roberto Silva, como existe um Acordo Coletivo Nacional, ele precisa ser cumprido enquanto as trabalhadoras domésticas de Sergipe se unem para lutar pelo Acordo Coletivo estadual.

Quitéria Santos explicou que além das creches públicas, oferecidas pelo Estado, depois da Lei Complementar 150/2015, as trabalhadoras domésticas também têm direito ao auxílio creche pago pelos patrões. “Os patrões colocam que oferecer creche é obrigação do Governo, mas, de acordo com a lei 150, as trabalhadoras domésticas têm sim direito ao auxílio creche, pago pelos patrões, assim como o FGTS, adicional noturno, hora-extra e feriado”.

Quitéria Santos também informou que o SINDOMESTICO foi até a Câmara de Vereadores de Aracaju e distribuiu um oficio solicitando a criação de um Projeto de Lei para cobrar o cumprimento dos direitos das trabalhadoras domésticas que ainda não são cumpridos.

Foto assessoria

Por Iracema Corso

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Leia também

TJSE restringe atividades presenciais com rodízio de 50% dos servidores até 06 de março
Dia da Visibilidade Trans marca ações da mandata de Linda Brasil
“É enfim mais um passo pela garantia do direito do povo à saúde”, diz Gracinha Garcez sobre reinauguração no Cirurgia
Ação de vândalos compromete abastecimento de água em Feira Nova e Nossa Senhora da Glória