Entre os dias 17 e 22 de agosto deste ano, 97 candidatas a cargos políticos eletivos foram vítimas de 3.182 publicações ofensivas na rede social Twitter. Produzidos e publicados pela revista AzMina, os dados preocupam a deputada estadual Maria Mendonça (PDT). Para ela, o comportamento é reflexo da violência de gênero latente no Brasil. “É necessário prevenir e punir as agressões. Política é e continuará sendo espaço de mulher”. Ao seu ver, a hostilidade às mulheres em período eleitoral é inadmissível e tolhem o direito político.
“Agressões contra candidatas configuram um discurso de que elas não devem estar ali, concorrendo a um cargo político. O alvo das críticas não são suas ideias e propostas, mas, sim, a existência delas enquanto mulheres e a sua presença naquele espaço. É um absurdo”, afirmou Maria. Ela destacou que cerca de 42% dos ataques levantados por AzMina, que analisou mais de 10 mil posts do Twitter, continham misoginia, seguidos por desumanização (17%), inferiorização (10%) e ofensa moral (9%).
As 3.182 ofensivas dividem-se entre 1.683 insultos e 2.785 ataques, conforme AzMina. A deputada estadual ressaltou que isso cria um cenário que inibe a participação feminina na política, o que, para ela, fere os princípios do Estado Democrático de Direito. “Essa triste realidade nos mostra que não há igualdade entre homens e mulheres em um processo tão crucial para o regime democrático, que define os rumos da vida pública e exerce poder sobre todos os cidadãos. Lembremos: somos 53% do eleitorado brasileiro”, enfatizou.
Maria Mendonça lembrou que uma das principais formas de desqualificar as mulheres na política é insultar sua aparência física, além de suas capacidades intelectuais e cognitivas. Foi isso que mostrou a análise de AzMina: o termo “Peppa Pig”, personagem de desenho animado infantil, foi utilizado 372 vezes. Os termos “louca”, “doida”, “amante” e “nojo/nojenta” aparecem na sequência, de acordo com o levantamento. “Ou seja, as agressões são acompanhadas de outras manifestações violentas, como a gordofobia”.
CONTRA O MACHISMO
A parlamentar tem atuação de longa data contra a violência à mulher em sua trajetória política. Uma das ações dela é o Projeto de Lei (PL) 16/2019, que estabelece multa e retira do ar toda e qualquer veiculação publicitária misógina, sexista ou que estimule a agressão e violência sexual no Estado de Sergipe, através de outdoor, folhetos, cartazes, rádio, televisão ou redes sociais. A propositura tramita na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) desde 2019 e aguarda apreciação da Casa.
“Nosso trabalho sempre foi no sentido de promover a igualdade de gênero, lutar contra a violência à mulher e empoderar nossas sergipanas. São diversas proposituras, entre Indicações, Projetos de Lei e Moções, que tratam sobre esses temas de relevância imensurável, aos quais empenho esforços de forma constante, a fim de oferecer melhores condições de vida às mulheres do nosso Estado, inclusive na política”, disse Maria Mendonça.
Fonte e foto assessoria
