Da união bem-sucedida entre artesãos sergipanos e os expositores da 4ª edição da Casacor Sergipe, 30 novas peças foram geradas. A política do Governo do Estado de valorização do talento local encontrou parceria com o renomado evento por meio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem). O artesanato garantiu protagonismo na maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo do país, que segue aberta ao público até o dia 8 de dezembro, em Aracaju.
Ao todo, 30 dos 35 ambientes da Casacor contam peças artesanais exclusivas, em diferentes tipologias, criadas especialmente para o evento. Para dar vida às criações, arquitetos ou designers de interiores atuaram em sinergia com artesãos e artesãs. A valorização da tradição do trabalho manual dialogou com a temática escolhida para 2024 – ‘De Presente, o Agora’, que chama a sociedade a refletir sobre a ancestralidade e o legado que pretende deixar para as próximas gerações.
Cada nova peça gerada foi resultante do trabalho colaborativo e está representada na utilização de renda irlandesa, cerâmica, madeira, crochê, macramê, couro, xilogravura e palha. Da parceria entre a artesã Sonia Souza e a arquiteta Patrícia Aguiar, além de uma nova peça, surgiu também uma nova proposta de trabalho. A artesã, que desenvolve louças com cerâmica esmaltada, foi desafiada a criar um quadro decorativo.
“Ela chegou para mim e falou que estava procurando alguma coisa para colocar na parede de entrada do seu espaço, queria um quadro. Quando ela falou isso eu fiquei surpresa; até hoje eu só fiz pratos, copos, pires. Ela mostrou uma referência do que queria e eu comecei a pensar. A partir desse momento, a gente começou a trabalhar como montar o quadro”, conta a artesã, que agora tem os olhos abertos para outros formatos antes impensados.
A arquiteta explica que, quando ela lançou o desafio para Sônia, ela precisava de algo interessante para a parede do seu ambiente e que tivesse a forma circular, para se integrar ao conceito de seu ambiente. Foi uma verdadeira experimentação em conjunto, com adaptações do processo de moldura, esmaltação e queima da cerâmica, para dar vida a um novo produto nunca feito antes por nenhuma delas. “No final, deu tudo certo”, conta a arquiteta, em sua breve experiência artesanal.
O relato comprova que a proposta da Secretaria de Estado do Trabalho foi frutífera para todos os segmentos envolvidos. Com o objetivo de impulsionar o talento dos artesãos e desenvolver economicamente o setor, o projeto promoveu encontros ricos em criatividade. O arquiteto Marcos Brito descreveu como “incrível” a parceria estabelecida com o apoio da gestão estadual.
“Os artesãos conseguiram decifrar todo o conceito do espaço, e juntos a gente conseguiu sentar e desenvolver entre croquis, desenhos, esboços. Sônia conseguiu me atender nas peças de cerâmica, que preencheu o espaço e trouxe essa ancestralidade que a gente carrega no tema e que fez todo o diferencial. Assim também como Gil Apolinário, que traz essa ideia de um uso de um material, numa obra de arte e dá todo esse diferencial para o espaço e a gente consegue expor a nossa linha de trabalho para toda a sociedade sergipana e todos os visitantes”, resumiu o profissional, que esteve presente em todas as edições da Casacor Sergipe.
Para que os encontros fossem ricos, como foram, a Seteem proporcionou um evento prévio de apresentação dos artesãos, trazendo profissionais ainda pouco conhecidos para a parceria. A participação do Governo de Sergipe, como patrocinador do evento, foi sempre condicionada à presença de peças artesanais sergipanas nos ambientes planejados. E o resultado do sucesso do investimento dos recursos públicos pode ser conferido numa casa próxima ao mar, localizada na Rua Arício Guimarães Fortes, número 454, no bairro Atalaia.
Foto: Richard Mayer