A Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese) participou do desenvolvimento de um aplicativo inédito no Brasil que promete transformar o manejo da irrigação entre pequenos e médios produtores rurais. A ferramenta utiliza modelos científicos para indicar, de forma simples e precisa, quanto tempo o agricultor deve irrigar sua plantação, contribuindo para a economia de água e energia, além do aumento da produtividade.
Financiado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o projeto foi desenvolvido ao longo de 18 meses em parceria entre a Fapese e a Universidade Federal de Sergipe (UFS). O aplicativo já foi entregue oficialmente ao Ministério e deve ser disponibilizado gratuitamente aos produtores ainda neste mês de julho, por meio da loja de aplicativos da pasta.
Para a presidente da Fapese, Maíra Bittencourt, o projeto reforça o papel fundamental da Fundação em conectar a universidade e a comunidade.
“A Fapese tem a missão de aproximar o conhecimento científico das necessidades reais da sociedade. Este aplicativo é um exemplo concreto de como a pesquisa desenvolvida nas universidades, quando apoiada por instituições de fomento e realizada em parceria com o poder público, pode gerar soluções inovadoras capazes de melhorar a vida das pessoas. Ao transformar décadas de conhecimento científico em uma ferramenta acessível aos pequenos e médios produtores rurais, contribuímos para o uso mais eficiente da água, o fortalecimento da agricultura e o desenvolvimento sustentável do nosso estado e do país”, destaca a presidente.
De acordo com o coordenador do projeto e professor do Departamento de Engenharia Agrícola (Deagri) da UFS, Gregório Faccioli, o sistema foi criado para atender um público que, até então, não contava com uma tecnologia voltada às suas necessidades. Diferentemente das plataformas existentes, desenvolvidas para grandes propriedades, o novo aplicativo foi pensado para a realidade dos pequenos e médios produtores rurais:
“Tem muita ciência envolvida. Modelagem de clima, modelagem de crescimento de raiz, interceptação de radiação. É muita ciência, só que o produtor não vai ver nada disso, já está tudo modelado para que ele tenha uma decisão rápida e assertiva. É uma tecnologia que revoluciona a forma como o pequeno produtor maneja a irrigação”, explica.
O professor destaca que a próxima fase do projeto focará diretamente na capacitação prática de quem está no campo. “Vamos capacitar os produtores quanto ao uso do aplicativo. Em Sergipe, o trabalho de treinamento será iniciado pelo perímetro irrigado Jacaré-Curituba, atendendo a uma solicitação do Ministério da Integração”, afirma o coordenador.
Segundo o professor, assim que lançado, o produtor poderá baixar o aplicativo gratuitamente e entrar usando login e senha do portal Gov.br para começar a utilizá-lo.
Raiz e legado
O professor Gregório conta que por trás do projeto há uma longa história de pesquisas e aplicação de tecnologias para facilitar a irrigação. Embora a experiência do usuário seja simples, o aplicativo reúne décadas de pesquisa na área. A tecnologia incorpora modelos relacionados ao clima, ao desenvolvimento das raízes das plantas, à interceptação da radiação solar e às necessidades hídricas das culturas, permitindo que a irrigação seja realizada no momento e na quantidade adequados.
“Esse aplicativo carrega uma história de 30 anos de pesquisas lideradas pelo professor Mantovani, coordenador sênior do projeto. Já tínhamos sistemas robustos voltados para grandes propriedades rurais, mas entendemos que uma plataforma web complexa não atendia às necessidades reais do pequeno produtor. O objetivo foi deixar o legado de transformar décadas de ciência de ponta em uma ferramenta simples, acessível e assertiva para o pequeno produtor”, conta.
Além da implantação junto aos produtores, a tecnologia também servirá de base para pesquisas acadêmicas. Um estudo de doutorado deverá acompanhar a utilização do aplicativo por cerca de 477 pequenos agricultores do Perímetro Irrigado Poço da Ribeira, contribuindo para avaliar os impactos da ferramenta na produção agrícola.
Texto e Foto: Ascom/Fapese
