Construída das lutas da classe trabalhadora no Brasil, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) completa 42 anos de história nesta quinta-feira, dia 28 de agosto.
Há 42 anos, foi a classe trabalhadora sindicalizada que fundou a CUT no dia 28 de agosto de 1983, em meio às lutas no complexo industrial do ABC Paulista, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT).
Naquele momento, mais de cinco mil homens e mulheres, vindos de todas as regiões do país, lotavam o galpão da extinta companhia cinematográfica Vera Cruz e imprimiam um capítulo importante da história de luta da classe trabalhadora brasileira.
No cenário político nacional de redemocratização após quase 3 décadas de Ditadura Militar, surge o chamado “novo sindicalismo”, a partir da retomada do processo de mobilização da classe trabalhadora. Estas lutas, lideradas pelas direções sindicais contrárias ao sindicalismo oficial corporativo, há muito estagnado, deram origem à Central Única dos Trabalhadores, resultado da luta de décadas de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade pela criação de uma entidade única que os representasse.
História da CUT em Sergipe
Em Sergipe, a fundação da CUT aconteceu em meio à luta pela reforma agrária. Na região do município de Poço Redondo, nos assentamentos de Curralinho e Bom Sucesso, os trabalhadores rurais fundaram o Pólo Sindical e a CUT Sergipe, que teve como seu primeiro presidente o técnico rural Manoel Dionísio da Cruz.
Além de Dionísio, foram os operários Rômulo Rodrigues e Edmilson Araújo as lideranças que fundaram a CUT Sergipe, no início da década de 80, num contexto de luta em defesa dos trabalhadores da Nitrofértil/Fafen, ascensão das lutas dos servidores públicos, da organização do Pólo Sindical Rural do Baixo São Francisco, do surgimento de novos sindicatos e da proliferação das oposições sindicais.
Desde a fundação da CUT/SE até os dias atuais, a central sindical foi presidida por Dionízio Cruz (Agricultor), Rômulo Rodrigues (Petroquímico), Edmilson Araújo (Petroquímico), Paulo Roberto Aragão (Petroquímico), Francisco Gualberto (Petroquímico), Rosângela Santana (Professora), Ana Lúcia (Professora), Antônio Góis (Urbanitário), Rubens Marques (Professor) e atualmente é presidida por Roberto Silva (Professor).
No Estado de Sergipe, hoje a CUT reúne aproximadamente 85 sindicatos, dentre os quais cerca de 56 sindicatos do serviço público. O ex-presidente da CUT, Rubens Marques, conhecido professor Dudu registrou como um dos marcos na história da CUT, a fundação da Federação dos Servidores Municipais de Sergipe (FETAM) em 2010.
Segundo Dudu, o então presidente da CUT Antônio Góis priorizou a empreitada. “No início eu e Ivônia e viajamos pelo estado para organizar os servidores em sindicatos, num segundo momento eu, Ivônia e Zé Carlos, no terceiro momento eu, Ivônia e Josuel e até o fim eu e Ivônia. Fundamos mais de 50 entidades fazendo formação teórica e também prática, e a CUT introduzindo-os no calendário de lutas de todas as categorias em Aracaju, mas também nos próprios municípios, porque somente os manuais não formam os militantes para a luta de classes”, registrou Dudu.
No setor privado, a CUT-SE reúne mais de 29 sindicatos filiados, a exemplo do Sindicato dos Jornalistas, o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas, entre vários outros.
CUT contra a criminalização da luta sindical
Passadas mais de 4 décadas, a CUT se consolidou como a maior central sindical do Brasil, da América Latina e a 5ª maior do mundo, com 3.806 entidades filiadas, 7.847.077 trabalhadoras e trabalhadores associados e 23.981.044 trabalhadoras e trabalhadores na base.
Organização sindical brasileira de massas, de caráter classista, autônomo e democrático, a CUT tem o compromisso de defender os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora.
Baseada em princípios de igualdade e solidariedade, seus objetivos são organizar, representar sindicalmente e dirigir a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, do setor público e privado, ativos e inativos, por melhores condições de vida e de trabalho e por uma sociedade justa e democrática.
Apesar do avanço na luta e das conquistas alcançadas, recentemente a luta sindical no estado de Sergipe vem sendo ameaçada através de processo judicial.
A vice-presidenta da CUT/SE, Caroline Santos, afirmou que no aniversário de 42 anos, a CUT se depara com o desafio de lutar contra este retrocesso, por nenhum direito a menos e pelo direito da classe trabalhadora à vida além do trabalho.
“A criminalização do movimento sindical em Sergipe é um retrocesso que não podemos aceitar. Pela primeira vez na história, temos o presidente da CUT Sergipe, Roberto Silva, que está sendo perseguido criminalmente pelo Governo de Sergipe através de processo judicial que criminaliza a luta da classe trabalhadora no nosso Estado”, declarou a vice-presidenta da CUT/SE, Caroline Santos.
Em defesa do direito de greve sem perseguição judicial de sindicalistas, hoje a CUT também luta por moradia digna para a classe trabalhadora; pela reforma agrária; pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário, pelo fim da escala 6×1; pela taxação das grandes fortunas; por políticas públicas para a população em situação de rua; contra o Arcabouço Fiscal, por mais investimentos no serviço público e em políticas sociais; contra a Reforma Administrativa e pelo fortalecimento do serviço público no Brasil; pela revogação das Reformas Trabalhista e da Previdência para assegurar direitos trabalhistas e o direito à aposentadoria.
Por: CUT Sergipe