Sessão temática reuniu representantes dos trabalhadores, do setor produtivo, especialistas e parlamentares para discutir os impactos da redução da jornada de trabalho
O Senado Federal realizou nesta quarta-feira uma das mais amplas discussões já promovidas pelo Congresso Nacional sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da chamada escala 6×1. A sessão temática foi proposta pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), por meio do Requerimento nº 414/2026, e presidida conjuntamente por ele e pelo senador Paulo Paim (PT-RS), em um gesto de diálogo institucional que marcou todo o debate.
Apesar de representarem diferentes correntes de pensamento, Laércio e Paim conduziram a sessão de forma compartilhada ao longo de mais de nove horas de discussões, reforçando o compromisso do Senado com a escuta plural e a construção democrática. Na abertura dos trabalhos, Laércio destacou que o debate havia sido construído em conjunto com o parlamentar gaúcho.
“Esta é uma sessão de debates construída para ouvir a opinião de todos. É uma construção conjunta feita por mim, que sou o autor do requerimento, e também pelo senador Paulo Paim.”
Em outro momento da sessão, ao transmitir a presidência dos trabalhos ao colega, Laércio reafirmou o espírito de cooperação que orientou o debate. “Me honra muito estar ao lado dele e nós estarmos fazendo esta sessão de debates conjuntamente.”
Ao assumir a condução dos trabalhos, Paulo Paim também ressaltou o ambiente de respeito construído durante a sessão e a importância de ouvir diferentes setores da sociedade para buscar soluções equilibradas para o país. “O diálogo, essa discussão, esse debate são fundamentais.”
Mais de 50 representantes de entidades nacionais participaram da sessão, reunindo trabalhadores, empregadores, especialistas, parlamentares e representantes do poder público em um dos debates mais representativos sobre as relações de trabalho dos últimos anos.
Entre os participantes estiveram dirigentes das principais confederações empresariais do país, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Transporte (CNT), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de federações e associações dos setores do comércio, serviços, indústria, transporte, agropecuária, saúde, educação e turismo.
Representando os trabalhadores, participaram dirigentes da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical, da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e de outras entidades representativas, garantindo equilíbrio entre as diferentes visões sobre a proposta.
O debate também contou com a contribuição do sociólogo e especialista em relações do trabalho, professor José Pastore, uma das maiores referências nacionais no tema, que apresentou análises sobre produtividade, competitividade, informalidade e os impactos econômicos das mudanças na jornada de trabalho.
Durante a abertura, Laércio ressaltou que o papel do Senado é criar um ambiente de diálogo capaz de aproximar diferentes perspectivas. “Busca-se garantir a pluralidade de opiniões. Trabalhadores, empregadores, especialistas e parlamentares precisam ser ouvidos para que possamos construir soluções equilibradas para o Brasil.”
Ao longo dos debates, representantes do setor produtivo defenderam que eventuais mudanças na jornada sejam acompanhadas de ganhos de produtividade, segurança jurídica e competitividade. Já os representantes dos trabalhadores apresentaram argumentos favoráveis à redução da jornada como instrumento para ampliar a qualidade de vida, promover a saúde do trabalhador e incentivar a geração de empregos.
Para Laércio Oliveira, justamente por envolver milhões de trabalhadores e empresas brasileiras, o tema exige responsabilidade, diálogo e disposição para construir convergências. “O Senado existe para ouvir a sociedade. Quando colocamos na mesma mesa trabalhadores, empregadores, especialistas e representantes do poder público, fortalecemos a democracia e criamos as condições para construir consensos possíveis.”
O senador também enfatizou que nenhuma proposta dessa relevância deve ser discutida sem ampla participação da sociedade. “Temas que impactam diretamente a economia e o mercado de trabalho precisam nascer do diálogo. Nosso compromisso é garantir que todas as vozes sejam respeitadas e que o Parlamento decida ouvindo quem produz, quem emprega e quem trabalha.”
Ao fazer um balanço da sessão, Laércio destacou que o principal legado do debate foi demonstrar que trabalhadores e empregadores não são adversários, mas partes complementares na construção de um país mais desenvolvido.
“Eu e o senador Paulo Paim temos a convicção plena de que a relação que nós estamos procurando estabelecer nesta sessão temática de hoje na relação capital-trabalho é de complementaridade. Todos os movimentos que fizemos aqui até este momento foram para tentar construir, exatamente, essa complementaridade que é tão importante. Eles não vão conseguir caminhar uns isolados dos outros.”
Para o senador sergipano, o ambiente construído durante a sessão representa o caminho que o Brasil precisa seguir para superar a polarização e fortalecer as instituições.
“O Brasil que a gente precisa é este país: é onde as pessoas saiam dos seus extremos e diluam ao máximo possível essa polarização que não constrói o Brasil em que a gente acredita. É por isso que nós estamos aqui celebrando este momento de hoje.”
Ao encerrar a sessão, Laércio afirmou que o debate demonstrou o papel do Senado como espaço permanente de construção democrática.
“A democracia se fortalece quando diferentes posições podem ser expostas com respeito. O papel desta Casa é exatamente este: ouvir, promover o diálogo e buscar os consensos que o Brasil precisa.”
Paulo Paim também fez um balanço da sessão e destacou que a disposição para ouvir diferentes pontos de vista foi o maior resultado do encontro conduzido em conjunto com Laércio.
“Foi muito importante ouvi-los. Eu aprendi na vida que, mais importante do que falar, é escutar. Por isso, eu e o Laércio estávamos aqui e falamos os dois: ‘vamos escutar, vamos escutar, vamos escutar’. E o resultado, que entendemos que está sendo aqui construído, pode ser uma grande luz, num país que vive um momento em que a polarização do ódio permanece no ar. Nós não queremos isso. Nós queremos respeito recíproco.”
A sessão consolidou o Senado como espaço de diálogo entre diferentes setores da sociedade, reunindo governo, trabalhadores, empregadores, especialistas e parlamentares em torno de um tema que impacta milhões de brasileiros. Mais do que discutir modelos de jornada de trabalho, o encontro demonstrou que é possível construir pontes entre posições distintas, fortalecendo o ambiente democrático e a busca por soluções equilibradas para o país.
Participantes da sessão temática sobre a PEC da escala 6×1:
Professor José Pastore
Juiz do Trabalho Otávio Calvet
Líder do Governo – Senadora Teresa Leitão (PT-PE)
Fecomércio/SP
CNT
FIESP
Deputado Federal Reginaldo Lopes – Líder do PT na Câmara dos Deputados e autor da PEC do Fim da Escala 6×1
CNI – Confederação Nacional da Indústria
CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Senador Jayme Campos (UNIÃO – MT)
FEBRAC – Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação
Senador Cleitinho – (Republicanos-MG)
MTE – Ministério do Trabalho e Emprego – Luis Marinho
Senador Rogério Marinho (PL-RN)
MDS – Ministério do Desenvolvimento Social
ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados
ABRASEL – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes
Senador Rogério Carvalho – Líder do PT no Senado
FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
Força Sindical
ABEAR – Associação Brasileira das Empresas Aéreas
Ministro Secretaria-Geral da Presidência da República – Guilherme Boulos
Associação das Empresas de Software
CMB – Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos
CNSaúde – Confederação Nacional de Saúde
Ministério Público do Trabalho (MPT)
Senador Jaime Bagattoli (PL-RO)
Sindusfarma – Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos
Ministério da Igualdade Racial
CEBRASSE – Central Brasileira do Setor de Serviços
MEMP – Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – Paulo Henrique Pereira
CUT – Central Única dos Trabalhadores
Frente Nacional de Prefeitos (FNP)
UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia
Ministério das Mulheres
NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis
Deputado Federal Inácio Arruda (PC do B – CE)
Setor de Panificação
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
FIEMG – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
CONFENEN – Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino
UGT – União Geral dos Trabalhadores
SECOVI-SP – Sindicato da Habitação
CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
Sindicato da Construção Civil
Relações Institucionais da Central Sindical da Classe Trabalhadora
ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers
Pública – Central do Servidor
OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras
VAT
NCST -Nova Central Sindical dos Trabalhadores
FAESP – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo
Deputado Federal Marcel van Hattem (Novo – RS)
CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção
Texto e foto Carla Passos
