Sergipe tem consolidado avanços significativos na área de transplantes, com crescimento no número de doações de órgãos, ampliação dos procedimentos realizados e fortalecimento da assistência aos pacientes beneficiados. Nesta segunda-feira, 8, o governador Fábio Mitidieri visitou pacientes transplantados internados no Hospital de Cirurgia, em Aracaju, acompanhando de perto a recuperação dos sergipanos atendidos pela rede estadual e os resultados da política pública que vem transformando vidas em todo o estado.
Durante a visita, o governador conversou com pacientes, familiares e profissionais de saúde que atuam diretamente no processo de captação e transplante de órgãos. Para Fábio Mitidieri, os resultados alcançados demonstram o avanço da saúde pública sergipana e o impacto dos investimentos realizados pelo Estado na ampliação dos serviços de alta complexidade. “Começamos a semana com a pauta da saúde em alta. Tivemos a oportunidade de visitar o primeiro paciente transplantado de fígado da história de Sergipe, que está se recuperando muito bem, além de pacientes que passaram pelo transplante renal. Há poucos meses retomamos os transplantes renais no estado e já alcançamos resultados importantes. É motivo de muita alegria ver essas pessoas recuperando a saúde e a qualidade de vida. Isso demonstra que a parceria entre o Governo do Estado e o Hospital de Cirurgia está dando resultados concretos para os sergipanos”, afirmou.
Entre os pacientes visitados está Edson Lincoln de Albuquerque Ferreira, de 63 anos, submetido a um transplante de fígado em 14 de maio deste ano. Segundo a equipe médica, ele apresenta boa evolução clínica no pós-operatório, encontrando-se consciente, orientado e hemodinamicamente estável. Também receberam a visita os pacientes transplantados renais Reinaldo Silva Santos, de 50 anos, e Guilherme Gomes Lima, de 39 anos, morador de Poço Redondo, que se recuperam bem após os procedimentos.
Números históricos
O fortalecimento da rede estadual de saúde e da Central Estadual de Transplantes tem contribuído para resultados expressivos. Sergipe vive um dos melhores momentos de sua história na área, ampliando significativamente o número de doações e procedimentos realizados.
Somente neste ano, o estado já contabiliza 20 transplantes realizados, sendo 18 transplantes renais e dois transplantes hepáticos, os primeiros transplantes de fígado realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Sergipe. Além disso, a retomada do transplante renal com doador falecido na rede estadual representa outro marco histórico para a saúde pública sergipana.
O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitidieri, destacou que Sergipe vive uma transformação histórica na assistência especializada. “São avanços extraordinários. O estado passa a integrar um seleto grupo de unidades da federação capazes de realizar procedimentos de alta complexidade, como os transplantes hepáticos e renais. É uma evolução muito importante da medicina e do SUS em Sergipe, resultado dos investimentos realizados pelo Governo do Estado e do fortalecimento da nossa rede de assistência”, ressaltou.
A diretora-geral do Hospital de Cirurgia, Márcia Guimarães, enfatizou que os resultados refletem uma parceria sólida entre a unidade hospitalar e a Secretaria de Estado da Saúde. “O Hospital de Cirurgia é o maior prestador de serviços do SUS em Sergipe e recebeu o desafio de implantar os transplantes em sua carteira de procedimentos. Estruturamos equipes qualificadas e, já neste primeiro semestre, alcançamos 20 transplantes realizados, sendo 18 renais e dois hepáticos. Muitos pacientes que aguardavam há anos na fila conseguiram deixar a hemodiálise e retomar a esperança. Isso demonstra o compromisso do Governo de Sergipe com a saúde da população e a força dessa parceria em benefício dos sergipanos”, afirmou.
Márcia destacou que Sergipe saiu de uma média histórica de quatro transplantes renais por ano para 18 procedimentos realizados em apenas seis meses, além dos dois primeiros transplantes hepáticos da história do SUS no estado.
Avanço histórico nos transplantes
Os avanços representam uma mudança significativa na vida dos pacientes que antes precisavam buscar tratamento fora do estado. Com a realização dos procedimentos em Sergipe, os transplantados passam a contar com acompanhamento próximo à família e à rede de apoio, reduzindo custos, deslocamentos e desgaste emocional.
No caso dos pacientes renais, o transplante possibilita o fim da rotina de hemodiálise e a recuperação da qualidade de vida. Já para os pacientes hepáticos, a realização do procedimento no próprio estado reduz o sofrimento físico, emocional e financeiro provocado pelo deslocamento para outros centros especializados.
O cirurgião Leandro Cavalcante, responsável pela equipe que realizou o primeiro transplante hepático em Sergipe, destacou a importância do procedimento para a consolidação da alta complexidade no estado. “A realização do primeiro transplante de fígado em Sergipe representa um marco para a saúde pública. Hoje, os pacientes podem receber tratamento de alta complexidade sem precisar se deslocar para outros estados, permanecendo próximos de suas famílias e da rede de apoio. Isso reduz impactos sociais, emocionais e financeiros e demonstra que Sergipe está preparado para continuar ampliando sua capacidade assistencial”, disse.
Relato
Para quem aguardava na fila por uma nova chance de viver, os números ganham um significado ainda mais especial. Morador de Poço Redondo, Guilherme Gomes Lima, de 39 anos, aguardou por três anos e nove meses a oportunidade de realizar um transplante renal. Em recuperação, ele relata a transformação proporcionada pelo procedimento.
“Estou me sentindo muito bem. Quem faz hemodiálise sabe como a vida muda completamente. Existem muitas limitações e restrições. Quando recebi a notícia do transplante, fiquei muito feliz. Depois de quase quatro anos de espera, é um sentimento difícil de explicar, mas extremamente gratificante”, contou.
Investimentos
Os avanços na área de transplantes fazem parte do fortalecimento da rede estadual de saúde e dos investimentos realizados pelo Governo de Sergipe. O contrato com o Hospital de Cirurgia representa um dos maiores investimentos recentes da saúde pública estadual, com mais de R$ 241 milhões por ano destinados à assistência hospitalar e ambulatorial.
O programa de transplantes conta com investimento aproximado de R$ 2 milhões por mês e é realizado integralmente por equipes formadas por profissionais sergipanos.
Responsável pela coordenação da captação, distribuição e regulação da fila de transplantes, a Central Estadual de Transplantes completa 26 anos de atuação em Sergipe. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, especialistas reforçam que a autorização familiar ainda é o principal desafio para ampliar o número de doações. Por isso, a orientação é que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de serem doadoras, já que a legislação brasileira exige a autorização do cônjuge ou de parentes de até segundo grau.
Foto: Reinaldo Moura
