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Aracaju, 30 de maio de 2026

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Terror em Comendador Levy Gasparian, escreve delegado Paulo Márcio

ARTIGO

*Paulo Márcio Ramos Cruz

Vivemos tempos difíceis. Sombrios. Como se estivéssemos imersos em uma egrégora de terror, medo e paralisia. Neste domingo, 23, na hora sagrada em que milhares de famílias brasileiras estavam reunidas à mesa para almoçar – aquelas que ainda têm direito a uma refeição -, o país era sacudido com a notícia de que o ex-deputado federal Roberto Jefferson tinha recebido a tiros uma equipe da Polícia Federal que fora cumprir um mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal.

À exceção das ações envolvendo facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, raramente se tem registro do uso de fuzis e granadas contra forças policiais, o que torna a conduta de Roberto Jefferson, particularmente, um atentado contra o Estado Democrático de Direito.

Após o ataque covarde contra os policiais federais, o terrorista de Comendador Levy Gasparian condicionou sua rendição à presença do Ministro da Justiça. Apesar do assentimento do presidente da República, não foi necessário atender à exigência de Roberto Jefferson, que, pacificado pelo Padre Kelmon, acabou se entregando no início da noite.

Um rosário de bobagens foi desfiado por desesperados apoiadores do atirador lunático para legitimar a sua conduta, a começar pela estapafúrdia afirmação de que se tratava do cumprimento de ordem manifestamente ilegal.

Argumento absolutamente improcedente, registre-se, na medida em que a decisão consistia na acertada revogação da prisão domiciliar por descumprimento das medidas cautelares anteriormente impostas. E, ainda que não estivesse revestida da mais absoluta legalidade, não justificaria o atentado que por muito pouco não tirou a vida da agente Karina Oliveira e do delegado Marcelo Vilella.

Arrisco-me a dizer, diante das circunstâncias, que Roberto Jefferson, em que pese o desejo de tornar-se mártir de uma causa insana, não planejou tudo isso sozinho. Há indícios de uma evidente orquestração, de um plano maior, no qual o ex-parlamentar cumpriria o papel de cordeiro imolado pela “MILÍCIA DO XANDÃO”.

Às 12h28, a ex-deputada federal Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, escreveu em sua conta no Twitter: “Xandão vai matar meu pai hoje. Mandou a polícia prendê-lo e ele não vai se entregar. Está trocando tiros com os soldados da MILÍCIA DO XANDÃO!!! Deus ajude a nossa família!”

As primeiras reações dos aliados foram de total apoio e solidariedade ao patriota que, tudo indicava, estava na iminência de ser abatido pelos inimigos da democracia. À medida que a poeira foi baixando e se descobriu que o único sangue derramado fora o das vítimas de Bob Jeff, o recém-aclamado herói da pátria rapidamente passou a ser tratado como vil criminoso por gente bem próxima.

Morto, Roberto Jefferson seria o catalisador de um movimento que conduziria a uma iminente ruptura institucional, sonho acalentado por muita gente;  vivo, não tem valor nenhum, a não ser como eventual colaborador da justiça em uma ação que promete render longos e emocionantes episódios.

Insisto neste ponto: ainda que tenha fantasiado sair da vida para entrar na história, é possível ver, ligados a mãos habilidosas, os fios que manipulam o ex-presidente do PTB, dando impulso à sua loucura permeada de patriotismo, fanatismo e tradição.

*Paulo Márcio Ramos Cruz é Delegado de Polícia e foi candidato a prefeito de Aracaju em 2020

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