O Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) proibiu a divulgação de levantamentos do Instituto CTAS devido a irregularidades que violam as normas eleitorais. As decisões suspendem dados sobre o cenário político do estado que vinham sendo divulgados recentemente.
A decisão mais recente barrou a divulgação da pesquisa SE-05326/2026, prevista para o dia 16 de junho. No registro oficial do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), o instituto declarou que a amostragem de 1.224 eleitores avaliaria apenas as intenções de voto para Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual.
Contudo, a fiscalização identificou que o questionário aplicado nas ruas continha um bloco oculto (questões 6 a 9) focado na disputa pelo Governo do Estado. As perguntas omitidas envolviam:
* Intenção espontânea de voto para governador;
- Cenário estimulado com os nomes de Emanoel Cacho, Fábio Mitidieri, Ricardo Marques e Valmir de Francisquinho;
* Rejeição dos pré-candidatos;
* Seis simulações de segundo turno.
A Resolução TSE nº 23.600/2019 (art. 2º, inciso X) exige a indicação expressa de todos os cargos avaliados. A omissão torna o levantamento “não registrado”, gerando o veto da Justiça para evitar que dados sem fiscalização influenciem o eleitorado.
Histórico
Anteriormente, o TRE-SE já havia suspendido a pesquisa de 30 de abril (SE-06052/2026). O motivo foi a ausência do Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE). Por declarar o uso de recursos próprios para o autofinanciamento do levantamento, o instituto é obrigado por lei a apresentar esse documento contábil para comprovar sua capacidade financeira e a origem lícita dos fundos. Em vez disso, o CTAS anexou apenas um balanço patrimonial incompleto.
O histórico do instituto aponta reincidência no descumprimento de parâmetros técnicos. Em 2024, a Justiça Eleitoral condenou a empresa ao pagamento de uma multa de R$ 53.205,00 após identificar quatro irregularidades estruturais em uma pesquisa:
- Ausência do número de entrevistados detalhado por bairro ou setor censitário;
- Inconsistências nos percentuais do nível econômico dos entrevistados;
- Falta de assinatura digital do estatístico responsável;
- Não apresentação do relatório completo com os resultados.
Ascom Republicanos
